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Imagem: Marcus Mesquita/MidiaNews

DIEGO FREDERICI 

 O advogado Rodrigo Mudrovitsch, defensor do ex-deputado estadual José Riva (sem partido), afirmou na saída do depoimento referente a operação “Imperador” nesta sexta-feira (31) que seu cliente deseja ajudar a Lustiça de maneira “ampla e irrestrita”. Inclusive, não descartou a possibilidade do ex-deputado firmar acordos de colaboração premiada com os Ministérios Públicos Federal e Estadual.Mudrovitsch afirmou, no entanto, que o desejo do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT) de “confessar uma conduta da qual tenha praticado” – e receber os eventuais benefícios concedidos pela colaboração com as investigações, como a redução de sua pena-, “não dependem só dele”. O defensor se esquivou de detalhar os termos de um possível acordo em razão da legislação brasileira, que trata o recurso como “sigiloso”.

“Qualquer acordo de colaboração, por conta da lei, é sigiloso. Essa legislação nos impede de darmos uma resposta adequada aos questionamentos. Mas o que quero dizer é que meu cliente tem sim o desejo de colaborar com as investigações. Como isso vai ser feito não depende só da vontade dele. Da nossa parte, não há problema alguma em fazer uma colaboração ampla e irrestrita”, disse Mudrovitsch.O advogado disse que um eventual acordo de delação depende dos Ministérios Públicos Estadual e Federal. "É necessário indagar esses dois órgãos sobre a possibilidade deste acordo".

Mudrovitsch ainda exaltou o conteúdo do depoimento de José Geraldo Riva, qualificando-o como “confissão inovadora”. “Meu cliente já procurou o Ministério Público há quase dois anos. Hoje foi uma confissão. Uma confissão agregada de uma colaboração. Os senhores podem refletir sobre o que ouviram aqui. Os senhores vão concordar comigo que o que ouviram é inovador”, disse o defensor.

O advogado do ex-parlamentar disse também que, se as declarações de José Geraldo Riva não forem suficientes para diminuir sua pena, sente “receio do instituto da colaboração premiada, e da confissão”, afirmando que o judiciário deveria “estimular” atitudes como a de Riva.

ARCA DE NOÉ

Ao elogiar o conteúdo das declarações de Riva, o advogado voltou a criticar a condenação de 21 anos e 4 meses de prisão imposta por Selma Rosane Santos Arruda, referente a operação, a “Arca de Noé”, que apura um esquema envolvendo deputados da AL-MT e empresas do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Citando como exemplo a condenação a 15 anos e 8 meses contra Eduardo Cunha, determinada pelo juiz Sérgio Moro por conta da operação “Lava Jato”, o defensor reclamou de uma suposta “desproporcionalidade” na comparação entre os casos. 

“Nós já fizemos uma nota sobre a condenação. O melhor exemplo é citarmos o caso de um juiz acima de qualquer questionamento, o magistrado Sérgio Moro, que condenou Cunha a 15 anos após ele ser o responsável por um prejuízo de 77 milhões de dólares e ter cometido três crimes. Riva cometeu dois crimes e foi responsável por um prejuízo de 2 milhões aos cofres públicos, mas foi condenado a 21 anos. Houve uma gigante discrepância.”

Sobre o fato de relacionar o ex-governador de Mato Grosso e atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), à compra de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) – e também ter distribuído um “mensalinho” na AL-MT para obter o apoio da maioria dos deputados estaduais da Casa enquanto foi Governador de Mato Grosso, assim como Dante de Oliveira -, o advogado negou que seja uma “estratégia da defesa”, tratando-se apenas de uma “narrativa da verdade”.

CONFISSÃO

José Geraldo Riva depôs nesta sexta-feira (31) para esclarecer fatos das investigações acerca da operação “Imperador”, que apura desvios de R$ 62 milhões da AL-MT. O ex-parlamentar é acusado de liderar um suposto esquema envolvendo falsas aquisições de materiais por cinco empresas do ramo de papelaria, todas de “fachada”. Os crimes teriam ocorrido entre 2005 e 2009.

O ex-presidente da AL-MT, porém, “aproveitou” para apontar 33 políticos (entre deputados, ex-parlamentares, e ex-governadores) envolvidos num “mensalinho”  que ocorria desde o governo Dante de Oliveira (PSDB, falecido em 2006). O poder executivo, com o objetivo de obter o apoio da maioria dos deputados, repassava de “R$ 15 mil a R$ 25 mil” aos parlamentares. O esquema também teria ocorrido nos governos Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa (PMDB).

Além do próprio ex-deputado, que também recebia o “mensalinho”, Riva também apontou outros 33 nomes de políticos conhecidos no Estado que teriam recebido propina, como Silval Barbosa, Sérgio Ricardo, Mauro Savi, Dilceu Dalbosco, Campos Neto,  Airton Português, Alencar Soares, Carlão Nascimento, Pedro Satélite, Renê Barbour, Zeca D“Ávila, José Carlos de Freitas, Eliene Lima, Carlos Brito, Sebastião Rezende, Zé Domingos, Wallace Guimarães, Percival Muniz, Nataniel de Jesus, Humberto Bosaipo, João Malheiros, Gilmar Fabris, José Domingos, Wagner Ramos, Adalto de Freitas, Nilson Santos, Juarez Costa, Walter Rabello, Chica Nunes, Guilherme Maluf, Ademir Bruneto, Maksuês Leite, Chico Galindo e Antônio Brito.

 






Fonte: Folhamax
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