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Coronel isenta Taques e avisa que cabo cumpriu "ordens" de superiores" da PM
O coronel Zaqueu Barbosa afirmou que as interceptações telefônicas ilegais no Estado foram feitas a pedido de superiores do cabo Gerson Correa Junior. Os dois foram presos em razão de serem acusados de participação no esquema de grampos clandestinos. Barbosa negou que tivesse participado das ilegalidades e disse que não sabe quem seriam os responsáveis por fazer os pedidos ao cabo.
Barbosa e Correa estão presos desde 23 de maio, após o juiz Marcos Faleiros da Silva, da Vara Especializada em Crimes Militares da Capital, decretar as prisões preventivas militares deles, em razão das interceptações ilegais em Mato Grosso.
Em depoimento prestado na tarde de terça-feira (27), no Comando Geral da PM, Zaqueu Barbosa afirmou que o cabo Gerson Correa Junior era o responsável pelas interceptações telefônicas ilegais. Barbosa assegurou que nunca autorizou que o cabo acrescentasse qualquer número que não fosse de pessoas envolvidas nos crimes apurados.
“Que as atividades tiveram início a partir de Cáceres e a partir daí todos os números que constam são de responsabilidade do Cb PM Gerson Correa; Que nunca pediu à Sd PM Andrea ou ao Sd PM Cleyton para incluir nenhum número para ser interceptado; Que se alguém pediu para acrescentar números, o interrogado nunca foi informado”, narra trecho do depoimento de Zaqueu Barbosa.
O coronel declarou que nunca teve conhecimento de que alguém havia pedido para que o cabo Corrêa inserisse números estranhos às investigações. “Se tivesse ocorrido ele deveria se reportar ao seu comandante imediato, Cel PM Lesco ou ao interrogado”.
Ele comentou que o coronel Evandro Lesco nunca teria recebido nenhuma informação sobre possíveis irregularidades nas interceptações. Lesco foi preso na última sexta-feira (23), em razão de também ser acusado de participar do esquema de grampos clandestinos. O então secretário da Casa Militar foi afastado pelo governador Pedro Taques (PSDB) após a prisão.
Barbosa mencionou que pode ter sido induzido ao erro nos pedidos de interceptações telefônicas, porém que somente quem confeccionava os relatórios, referindo-se ao cabo Correa, poderia dizer se os erros foram grosseiros, decorrentes de digitação, ou se alguém solicitou a inclusão dos números que não eram alvos das operações.
Durante o depoimento ao coronel Jorge Catarino, responsável por conduzir o Inquérito Policial Militar, Barbosa relatou que acredita que superiores de Corrêa solicitaram a inclusão dos números ilegais, pois não haveria como o militar incluir os telefones sem que os superiores não soubessem. Apesar disso, ele não mencionou possíveis nomes que poderiam saber do esquema.
“Reitera que nunca lhe pediu nada nesse sentido; Que acha pouco provável que o Cb PM Gerson Correa teria feito sem conhecimento dos seus superiores; Que quem ouvia os áudios era a Sd PM Andrea e o Sd PM Cleyton e acredita que se eles tivessem ouvido alvos fora da investigação, eles certamente dariam conhecimento ao interrogado”.
Barbosa ainda rechaçou os argumentos apresentados pelo cabo Corrêa em depoimento no Comando Geral, que afirmou que alguns dos números foram inseridos ilegalmente em razão de erros de digitação.
“Se ele tivesse errado na digitação, quem estivesse ouvindo, ao identificar o erro, pediria a suspensão imediata ou não renovaria o pedido; Que se foi pedido para inserir número diverso, o interrogando nunca foi informado”.
O Ministério Público Estadual, durante o depoimento de Barbosa, questionou o coronel sobre uma afirmação que teria feito durante um evento no prédio do promotor de Justiça Mauro Zaque, então secretário de Estado de Segurança Pública. Conforme o MPE, Zaqueu Barbosa teria sido informado que seria exonerado do cargo de comandante-geral da PM. Diante da notícia, ele teria dito: "assumo o que fiz pode marcar para semana que vem a passagem de comando, mas tem um detalhe, tudo que fiz foi a mando do Governador e desde a campanha".
Em resposta ao Ministério Público, Zaqueu Barbosa não confirmou a declaração, pois assegurou que não se recorda do que disse na conversa.
GRAMPOS ILEGAIS
Em janeiro, o promotor de Justiça, Mauro Zaque, denunciou o esquema de interceptações ilegais à Procuradoria Geral da República (PGR). Segundo ele, diversas figuras do Estado foram grampeadas ilegalmente desde 2014. Teriam sido alvos da irregularidade políticos com mandatos, assessores, advogados, jornalistas, policiais, entre outros.
A denúncia aponta que os grampos eram concedidos por meio de “barriga de aluguel”, no qual o Núcleo de Inteligência da Polícia Militar solicitava interceptações de eventuais criminosos – no caso, uma quadrilha de tráfico de drogas e, posteriormente de assaltantes – e incluía os nomes de outros alvos, que não tinham relação com os crimes.
Na denúncia encaminhada por Zaque, é relatado que os grampos eram solicitados a um juiz de Cáceres pelo Ministério Público Estadual, com base em pedidos da Inteligência da PM. No entanto, outros magistrados do Estado também teriam concedido quebras de sigilo ilegais, sem perceber que entre eles havia terminais sem relação com o crime.
De acordo com informações de bastidores, membros do alto escalão do Executivo Estadual estariam envolvidos no esquema das interceptações ilegais. Paulo Taques é apontado como um dos líderes dos pedidos irregulares de quebra de sigilos. No entanto, ele nega qualquer participação na fraude.
O esquema gerou repercussão nacional e foi alvo de reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo. O caso gerou imbróglios políticos. Logo que a situação veio à tona, Paulo Taques deixou o cargo de secretário-chefe da Casa Civil. Apesar de as notícias apontarem que o primo pudesse estar ligado ao esquema, o governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que o ex-membro de seu staff deixou a função para voltar à advocacia. O ex-secretário tornou-se o responsável pela defesa do chefe do Executivo Estadual no caso das interceptações telefônicas criminosas.
Na denúncia encaminhada por Zaque, o promotor de Justiça afirmou que Taques cometeu o crime de prevaricação, por saber do esquema criminoso e não fazer nada para impedi-lo. O governador, porém, negou que soubesse das escutas ilegais que eram autorizadas na comarca de Cáceres.
Em 16 de maio, o tucano protocolou denúncia contra Zaque no Ministério Público Estadual, na PGR e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Nos documentos, o chefe do Executivo estadual acusou o promotor de cometer os crimes de falsificação de documento público, prevaricação, em razão de ter deixado de praticar ato de ofício, e denunciação caluniosa.
No dia 23 de junho, foram presos em razão dos mandados expedidos pelo desembargador Orlando Perri, o secretário da Casa Militar, Evandro Lesco, o adjunto da pasta, Ronelson Jorge Barros, o tenente-coronel  Januário Batista e o cabo Euclides Torezan.  Eles são acusados de participarem do esquema de interceptações telefônicas ilegais.

Fonte:VINÍCIUS LEMOS /FOLHAMAX


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