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Alan Malouf compareceu ao Fórum de Cuiabá para prestar depoimento (Foto: Lislaine dos Anjos/ G1)
 O empresário Alan Malouf, que cumpre prisão em regime domiciliar, disse à Justiça nesta quinta-feira (8) que o governador Pedro Taques (PSDB) tinha conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e da existência de "caixa 2" na campanha eleitoral de 2014, quando concorreu ao governo do estado. Por meio de assessoria, o governador negou envolvimento nas fraudes e a existência de "caixa dois". Também disse não ter ciência da quadrilha que agia dentro da pasta.

"Fiz a doação, como um empréstimo, em “caixa 2“. Foi um empréstimo, mas não foi declarado em prestação de contas [à Justiça Eleitoral] ou em imposto de renda, porque foi em “caixa 2“. A doação do (empresário) Giovani Guizardi também foi feita em “caixa 2“ e o governador sabe disso", declarou.Dos R$ 2 milhões que doou, Malouf disse ter recebido de volta R$ 260 mil de forma parcelada. Em duas ocasiões, o dinheiro foi entregue na empresa dele e, em outra, na casa dele. Ele disse que, no final da campanha, restou um débito e que ele ajudou a saldá-lo. "Foi feito um rateio para saldar a dívida e eu ajudei a pagar. Foi como um empréstimo, a pedido do próprio governador", explicou. O empresário afirmou que se dispõe a devolver esses mais de R$ 200 mil provenientes de propina que recebeu.Além da doação, a qual ele classifica como empréstimo, o buffet de propriedade dele fez o coquetel da cerimônia de posse de Taques como governador, em janeiro de 2015. Ele alega que não recebeu o pagamento pelo serviço prestado.Ele disse ter alertado o governador em maio do ano passado sobre a descoberta do esquema com a operação Rêmora, que investiga desvio de dinheiro por meio de licitações para obras de construção e reforma de escolas no estado."Quando a operação foi deflagrada, mandei uma mensagem para o governador, dizendo que precisava me encontrar com ele. Ele estava em Brasília e pediu que eu o encontrasse no Palácio Paiaguás [sede do governo de MT] à noite", afirmou.Pessoalmente, o empresário disse ter alertado o governador, que na ocasião estava na companhia de Paulo Taques, ex-secretário da Casa Civil e primo de Pedro Taques, sobre o caso, mas, segundo ele, o governador disse que iria revolver tudo e que ele deveria ficar tranquilo. "Eu o lembrei da doação feita pelo Guizardi durante a campanha dele. Ele disse que iria resolver o assunto e que eu deveria ficar tranquilo", pontuou.

Giovani Guizardi, que é dono de uma construtora e casado com uma prima de Alan Malouf, doou R$ 200 mil para a campanha eleitoral, segundo o empresário. Guizardi também foi preso no ano passado. Passou sete meses na prisão e foi solto após firmar acordo de delação premiada.Alan Malouf afirmou ainda que, quando o ex-secretário estadual de Educação, Permínio Pinto, foi preso, em julho do ano passado, ele voltou a alertar o governador. Novamente, Taques teria dito que iria revolver a situação, mas, de acordo com o empresário, nada foi resolvido."Eu o alertei novamente, mas ele já sabia e disse que ia tratar do assunto. Ele não deu detalhes, mas disse para eu ficar tranquilo que iria dar um jeito de resolver e soltá-los. Mas isso não aconteceu, tanto é que eu também fui preso", disse Malouf, que foi preso em dezembro do ano passado, acusado de receber propina do governo como pagamento pelas doações feitas à campanha de Taques. Ele foi solto uma semana depois e usa tornozeleira eletrônica.

 

O esquema

Malouf disse que Guizardi o procurou em 2015, pedindo a ele para ser apresentado ao secretário de Educação. O empresário alega que é amigo de Guizardi há mais de 12 anos e que apenas fez a aproximação entre o dono da construtora e Permínio Pinto. "Eu apresentei os dois. Dali para a frente, foi com eles", disse.Um tempo depois, Guizardi teria voltado a procurar Malouf e insistido para que ele participasse de um esquema que já estaria rodando na Seduc, a fim de recuperar o dinheiro que havia sido aplicado na campanha de Taques ao governo. Ele disse que não sabia como funcionava o esquema ou as empresas que participavam da fraude."Só soube que [a propina] era um percentual sobre o faturamento das empresas. Nunca estive ou participei de reuniões com empresários. Fui beneficiado com o valor, mas não participava diretamente. Guizardi nunca me mostrou uma planilha, um demonstrativo que falasse em percentuais. Não participei dessa questão de rateios e divisões de valores, mas sabia que outros também estavam recebendo", afirmou.

Acusação

Malouf é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ser parte do núcleo que liderava uma quadrilha que fraudava licitações de obras em escolas públicas do estado. Os crimes teriam sido cometidos entre 2015 e 2016, dois primeiros anos do governo Taques.

O MPE diz que o empresário tinha a função de formular e aprovar os métodos para desviar dinheiro público da Seduc, durante a gestão Permínio Pinto, também acusado de fazer parte da quadrilha. Malouf foi denunciado pelo Ministério Público por organização criminosa e corrupção passiva.

 



Fonte: G1MT
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