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Foto: Ilustração da net
O setor agropecuário de Mato Grosso vem sofrendo como nunca com as constantes crises envolvendo os frigoríficos e a qualidade da carne produzida no Brasil. 
Na última quinta-feira (22), mais um baque atingiu o setor. O Governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão da importação de carne bovina fresca vinda do Brasil, após o País obter resultados negativos em testes de qualidade. 
Os EUA não são um grande mercado deste tipo de produto, mas suas decisões no setor sanitário são levadas em conta por outros países. 
O diretor executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vaccari, afirmou que os recentes escândalos, principalmente os que envolvem a empresa JBS, causaram um "grande impacto" no setor de pecuária em Mato Grosso. 
“O clima é de muita insegurança, porque este assunto teve desdobramentos no Brasil inteiro e no Estado inteiro. Não é só a JBS, mas a pecuária de corte hoje em dia vive uma crise que nunca viveu. Deste tamanho, nunca viveu”, disse.  
Graças às ações do Ministério da Agricultura, chefiado pelo ex-governador Blairo Maggi, Vaccari disse que o mercado já estava se recuperando das consequências da Operação Carne Fraca, deflagrada no último mês de março, que investigou empresas brasileiras acusadas de adulterar a carne que vendiam no mercado interno e externo. Tudo com a conivência de servidores federais. 
“Lá, quando teve a Operação Carne Fraca, houve um impacto inicial. Mas no desenrolar das semanas, esta crise veio sendo superada, por conta do trabalho do Ministério da Agricultura, de transparência, de atender às expectativas dos mercados. Então, os países que tinham embargado o nosso produto, por exemplo, retiraram os embargos. Mas aí veio essa outra agora”, disse. 
Após as delações dos executivos da JBS, Wesley e Joesley Batista, o mercado voltou a enfraquecer. Com a confissão de crimes, especialmente os de pagamentos de propinas em troca de benefícios do Governo, a empresa passou a ter problemas na Justiça, além de correr o risco de ter contas bloqueadas.  
“A JBS é a maior companhia do segmento que atua em Mato Grosso, então o impacto é gigantesco. No nosso negócio, em Mato Grosso ela representa 48% do abate do gado”, afirmou Vaccari. 
Desde a delação, a JBS não faz mais compra de bois com pagamento a vista no País. 
Vaccari disse que, por causa disso, os produtores mato-grossenses ficaram no prejuízo. 
“As compras estão acontecendo, só que o problema disso tudo é a maneira como isto está sendo feito. O produtor não está tendo o direito de comercializar seus animais à vista. E isto tira as opções dos pecuaristas. Esta crise da JBS já extrapolou as barreiras de mercado, já virou uma crise generalizada, política, de imagem. Os desdobramentos disso estão sendo diários. Por exemplo, de lá pra cá, a arroba do boi já caiu mais de 6%”, afirmou. 
Fechamentos 
Após a Operação Carne Fraca, vários frigoríficos em Mato Grosso foram fechados. 
Por conta disso, na tentativa de reverter a situação, os pecuaristas avaliam criar uma cooperativa para reabrir estes espaços. 
O diretor executivo diz que a Acrimat apoia a medida e se coloca à disposição dos produtores. 
“A gente vê com muito bons olhos esta iniciativa. A Acrimat está à disposição para ajudar no que for necessário, com informações, através de consultorias, para que esta iniciativa deles se desenvolva e prospere. É uma grande alternativa”, explicou. 
Estados Unidos 
A nova situação, relacionada à suspensão da importação dos Estados Unidos, trouxe mais um prejuízo ao setor. 
O embargo se deve a uma reação dos bois à vacina de febre aftosa, que provocaram abscessos (acúmulo de pus) na carne. 
Vaccari disse que apenas duas empresas mato-grossenses vendiam para os Estados Unidos, e que o prejuízo econômico não será tão grande. 
Os Estados Unidos foram o destino de 3% da carne mato-grossense exportada este ano, movimentando US$ 11,1 milhões nos primeiros cinco meses. 
O problema, segundo Vaccari, é o impacto da imagem da carne brasileira no mercado internacional. 
“Mato Grosso tinha duas plantas habilitadas, a Marfrig de Paranatinga e a JBS de Barra do Garças. Então economicamente até tem um impacto. Só que pra imagem da carne brasileira é um impacto muito, mas muito maior. Não é porque o volume vendido para os EUA era pequeno, que não deva ter atenção. Todo comprador merece atenção”, disse. 
Vaccari disse que para que esta situação seja revertida, ele espera que o ministro Blairo Maggi atue da mesma forma que fez na época da Operação Carne Fraca.  
“A gente espera que o Ministério da Agricultura aja da mesma maneira como agiu antes, de maneira firme, de maneira transparente. E nós temos toda confiança no trabalho do ministro e dos técnicos do Ministério com relação a isso. Mas o Ministério precisa cobrar das indústrias que fabricam as nossas vacinas, precisa cobrar das indústrias frigoríficas do Brasil, porque são inaceitáveis erros operacionais como estes”, disse Vaccari. 
Nesta semana, a Acrimat divulgou nota oficial sobre o assunto:

Leia a íntegra da nota:

NOTA OFICIAL – ACRIMAT

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) lamenta a decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de embargar temporariamente a carne brasileira in natura.

A decisão foi tomada após a identificação de produto com vestígio de reações decorrentes da vacina contra a febre aftosa.

A Acrimat considera inaceitável que haja esse tipo de ineficiência no serviço das indústrias frigoríficas brasileiras.

O processamento de alimentos requer rígido controle de qualidade afim de evitar a comercialização de produtos com irregularidades que, apesar de inofensivas à saúde do consumidor, colocam em xeque a credibilidade da nossa carne.

A reação vacinal pode acontecer devido à inoculação do agente que compõe a vacina ou à aplicação incorreta do produto, causando uma espécie de inflamação ou o enrijecimento da carne.

Por isso, a Acrimat cobra que Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) seja mais exigente com os laboratórios para o melhoramento das vacinas produzidas no Brasil e para que retirem da composição da vacina agentes considerados desnecessários para a imunização do rebanho.

Com relação à vacinação, a Acrimat desenvolve, há anos, campanhas para a conscientização dos produtores sobre a importância da correta manipulação e aplicação da vacina.

Atualmente, a entidade possui três publicações que são distribuídas para os pecuaristas com instruções sobre manejo sanitário, manejo pré-abate e instalações rurais.

Exportações

O Estados Unidos foi destino de 3% da carne mato-grossense exportada este ano, movimentando US$ 11,1 milhões nos primeiros cinco meses deste ano.

Apesar de não ser um mercado expressivo em volume, ter o Estados Unidos como cliente é importante para o Brasil devido ao elevado grau de exigência do país, sendo considerado um cartão de visitas para a carne brasileira.

ASSOCIAÇÃO DOS CRIADORES DE MATO GROSSO – ACRIMAT
Fonte: Vinicius Mendes Midianews
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