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Gleba de Taquaruçu do Norte, em Colniza, foi local de chacina em abril deste ano. Crianças estão sem escola e posto de saúde é precário.

Foto: G1MT
m local isolado e de difícil acesso. A gleba Taquaruçu no Norte, em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, onde nove trabalhadores rurais foram assassinados em abril deste ano, é um retrato do abandono, afirma a Defensoria Pública. Antes da chacina, 100 famílias moravam na comunidade, o que dava aproximadamente 300 pessoas. Depois dos assassinatos, restaram cerca de 40 famílias, totalizando menos de 100 pessoas.
Mas, os moradores não foram os primeiros a virarem as costas para o lugar. Para a Defensoria, o poder público já fez isso antes.

“O estado e município estão completamente ausentes. As crianças desde o início deste ano não tinham começado as aulas. A saúde pública lá também não existe. É uma casa que tem uma mesa de madeira que faz o exame da malária. E malária lá é comum. A gente conversava e as pessoas diziam que tinham tido malárias 15 vezes em dois ou três anos, disse o defensor público Diego Rodrigues.

A Defensoria fez uma expedição à região da chacina com representantes do Ministério Público do Estado e as polícias Civil e Militar. Eles registraram a total falta de estrutura. Uma das imagens é o posto de saúde do município, composto de uma mesa com remédios. Outra foto mostra um barracão onde funciona a escola, que está desativada.
O defensor disse acreditar que a ausência do poder público tem contribuído com a violência naquela região. Depois de entrevistar as três famílias de vítimas que ainda estão por lá, pretende entrar com uma ação indenizatória contra o estado. "Em 2010, 2014, 2016 já houve várias situações como torturas, assassinatos. A população sempre denunciou um grupo de encapuzados que amedrontavam a situação lá”, disse.
Três dos quatro suspeitos das mortes estão presos: Pedro Ramos Nogueira, o sobrinho dele Paulo Neves Nogueira, e o sargento da Polícia Militar Moisés Ferreira de Souza. Ronaldo Dalmoneck e o madeireiro Valdeli João de Souza, suspeito de ser o mandante, ainda estão foragidos. Os cinco foram denunciados pelos assassinatos.
 
O delegado Edson Pick, que ficou à frente do inquérito, disse que o medo e a distância impedem novas denúncias. “A região é conflitante. Existe boletim de ocorrência de ameaças. Então, para a pessoa vir aqui e dar o depoimento dela dizendo que foi ameaçada por fulano, quando ela está com medo, amedrontada, a quase 250 km da primeira polícia….ela não fala”, disse o delegado Edson Pick.
Três meses depois da chacina, apesar das péssimas condições de vida no lugar, ainda é a violência que expulsa os moradores de Taquaruçu do Norte. “Todo mundo está apavorado. Inclusive lá na linha 15, que foi onde ocorreu a chacina, o pessoal não anda mais lá, porque fica um pouco afastado da comunidade. As plantações, porque eles passavam o dia lá plantando para subsistência, estão com fartura, mas com tudo apodrecendo”, disse Rodrigues.
Outro lado
A Secretaria de Segurança Pública diz que tem feito ações preventivas e ostensivas na região e que na semana que vem o titular da pasta irá até o município para discutir a instalação de uma base da Polícia Militar em Guatá, distrito de Colniza.
A Secretaria de Administração de Colniza diz que alguns pontos têm sido melhorados na comunidade e que a prefeitura pediu a instalação de um poço artesiano para atender Taquaruçu. E em 60 dias pretende implantar um posto de saúde e, em 15 dias, deve começar a construção da nova escola.
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