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Alunos tem aula embaixo da árvore em Rosário Oeste
Os profissionais e estudantes das comunidades do campo, em duas unidades escolares no distrito de Bauxi, no município de Rosário Oeste (128 km da capital), cobram do governo do estado condições para efetivar o ensino dos jovens matriculados. A falta de infraestrutura na escola da comunidade de Jatobá (110 km da sede central), por exemplo, é comprovada com aulas embaixo de árvores, por falta de salas. Enquanto na unidade situada no distrito (68 km da sede central) as salas se quer tem ventiladores.
Cansados de ouvirem a propaganda do governo Taques de uma educação inovadora, os estudantes e professores que atuam nas duas unidades da região exigem do governo respeito às necessidade básicas para garantir o aprendizado dessas crianças e jovens. “As condições oferecidas a esses estudantes e profissionais são as mesmas do século passado. Que qualidade é essa que o governo promete, sem nem mesmo professores habilitados para as disciplinas, essas turmas possuem. E o governo mantém isso, quando não assegura no edital do Concurso Público 2017 vagas para a região, em que todos os professores são contratados”, ressalta a presidente da subsede do Sintep de Rosário Oeste, Míriam Botelho.
 “O que nos move é a vontade é ensinar”, diz um dos primeiros professores atuar na unidade de Jatobá, Getúlio Vitorino. Segundo ele, os profissionais lotado na escola aplicam na prática a metáfora de Paulo Freire de que a educação se faz até debaixo de um pé de manga. Diariamente os profissionais convivem com o desafio de dar aulas segundo as intempéries climáticas, normalmente sob um sol de 40º. Enfrentam as péssimas acomodações da “sala” improvisada, e disputam com o movimento do entorno, a atenção dos/as estudantes.
As salas no prédio da Escola José Pedro Gonçalves, por ironia, avô do governador Pedro Taques, também da região do Bauxi, abrigam turmas do Ensino Médio (1º a 3º ano), da Escola Estadual Elizabeth Evangelista Pereira de Almeida, e estudantes do 1º ao 9º ano da EE Marechal Rondon, ambas com sede em Rosário Oeste. Os estudantes do Ensino Fundamental dividem as três salas entre as seis turmas. Uma divisória de tecido improvisada (TNT), separa os alunos. “Os estudantes convivem com conteúdo simultâneos repassados por dois professores/as ao mesmo tempo”, explica a professora Kátia Regina.  
A falta de salas de aula se somam a banheiros inadequados, ausência de biblioteca, laboratórios de informática – nem mesmo computadores ou internet – laboratórios de ciências. E mais, quase nenhum dos professores da unidade está habilitado na respectiva disciplinas que atua, muitas vezes assumindo mais de uma. Não há professores efetivos na escola.  
O professor Leo Aparecido de Almeida, formado em Educação Física, assume as aulas de geografia na escola de Jatobá, após se mudar de Sorriso, onde trabalhava como docente. “Uma realidade totalmente diferente, aqui não temos se quer retroprojetor ou uma biblioteca com livros atualizados para esses estudantes. Para ensinar a disciplina, nos finais de semana em casa, monto apostilas com o conteúdo que pesquiso”, relata.
Também o professor de Educação Física, Frytz Strack Bisneto, atua fora da área de habilitação. Assumindo as aulas de História e Artes, relata a precariedade enfrentada para assegurar um mínimo de condições à essas crianças e jovens. “Dos 45 minutos de aulas, se conseguirmos o aproveitamento de 25 min é uma vitória. E relata que os estudantes soma que chegam na escola exaustos depois de muitos percorrem até 1 horas, no transporte escolar, em estradas de chão”, relata.
Os estudantes do 2º e 3º ano da escola, respectivamente, Dayane dos Santos Silva, 17 anos, e o aluno, Wálter Alinor de Jesus, 33 anos, fazem aulas juntos na sala improvisada embaixo da árvore. As condições que estão sujeitados ajuda a fortalecer o preconceito dos estudantes da área urbana. “Não somos inferiores mas nos sentimos assim porque somos esquecidos em questão de educação, saúde”, diz Wálter.
Concluindo o Ensino Médio este ano, percebe o débito do governo com todos os estudantes dessa escola. Apesar de sair com diploma do Ensino Médio acredita que estará em desvantagem ao concorrer a uma vaga com estudantes de escolas públicas que tiveram acesso a infraestrutura física e de pessoal, diferenciada. A indignação pela falta de respeito é compartilhada pelo estudante Adilson Monteiro dos Santos, 15 anos, do 1º ano, que quer sua cidadania assegurada, apesar do descaso do governo estadual.  
Bauxi
Assim como na comunidade de Jatobá, também no Distrito de Bauxí (68 km do município sede), a escola municipal Isis Rodrigues de Mesquita, abriga salas anexas de duas unidades de ensino. A escola recebe no turno matutino estudantes do 1º. 2º e 3º ano do Ensino Médio (EE Elizabeth Almeida), além de disponibilizar quatro salas anexas do 6º ao 9º ano, da escolas estadual João Calixto Bernardes.
Situada na área central do distrito, a unidade aparentemente mais estruturada do que a escola de Jatobá, sofre problemas semelhantes com falta infraestrutura. Enquanto no geral as escolas estaduais debatem a instalação de ar condicionado, na unidade a luta é por ventiladores, refeitório, biblioteca, laboratórios de informática e de ciências, para o aprendizado dos/as estudantes. “A última vez que a escola viu uma pintura foi quando uma funcionária reuniu um grupo de estudantes e pintou”, relata a professora Ana Maria.

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