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Em conversa interceptada pela Delegacia Fazendária, o secretário adjunto de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), delegado Gustavo Garcia, prometeu ajudar Ingrid Menezes, esposa do agente de tributos Alfredo Menezes, a conseguir mais tempo nos horários de visitas ao marido no Centro de Custódia da Capital (CCC).
A conversa foi interceptada às 19h21 do dia 9 de maio. Alfredo Menezes só veio a ser solto no dia 17 de junho (ouça o áudio da conversa abaixo). O secretário, todavia, negou qualquer irregularidade em sua conduta (leia a nota ao final da matéria).
O agente é réu da ação penal derivada da Operação Zaqueus, sob a acusação de operar uma suposta fraude para reduzir uma multa aplicada pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) à empresa Caramuru Alimentos S/A.
De acordo com as investigações, o valor foi reduzido de R$ 65,9 milhões para R$ 315,9 mil, mediante pagamento de propina no valor de R$ 1,8 milhão.
No início do diálogo, Gustavo marca de conversar com Ingrid no dia seguinte, data em que ela iria visitar Alfredo na prisão. O secretário seria amigo de longa data de Alfredo, conforme as conversas gravadas.
Gustavo - "Aí faz o seguinte: amanhã  - que lá eu não sei se tem almoço lá, se almoça lá, se não vai - a gente te busca, você almoça rapidinho com a gente e eu te deixo de volta".
Ingrid – "Não, mas eu quero ficar lá com ele".
Gustavo – "Você vê como vai ficar lá".
A esposa do agente então pediu que o secretário verificasse os horários em que ela poderia ficar junto de Alfredo no CCC.
Ingrid – "Agora eu só queria que você visse para mim, Gustavo, aquele negócio de se eu vou ter que sair no primeiro turno, se existe isso".
Gustavo – "Não tem, cara, é direto, não precisa sair. Tem um horário de entrada, depois não entra mais. Então se você sair, você só pode voltar depois".
Ingrid – "Mas sair eu posso?".
Gustavo – "Tipo assim: você pode sair e depois voltar uma e meia (13h30)".
Ingrid – "Não, eu sei, mas e depois de 13h30? Eu não consigo sair três horas (15h)? Não consigo?".
Gustavo – "Consegue sim, acho que consegue".
Em razão da dúvida quanto ao tempo em que Ingrid poderia permanecer como visita na prisão, ela então solicitou que Gustavo Garcia confirmasse se ela poderia ou não ficar até mais tarde com o marido.
Por sua vez, o secretário afirmou que iria “resolver” e, caso Ingrid não pudesse ficar até as 15h no local, ele iria ligar para o servidor responsável.
Ingrid – Isso que eu queria que você visse para mim.
Gustavo – Não, eu ligo para o cara lá e vejo, entendeu? Amanhã eu vejo. Eu conheço o colega lá e ele me explica. Eu vou ligar para ele, tá bom?
Ingrid – Eu queria passar mais tempo com ele, entendeu?
Gustavo – Entendi, mas isso aí eu resolvo, qualquer coisa eu ligo para ele lá. Você manda mensagem. Se não puder, você me avisa que eu ligo para ele.
Ingrid – Tá bom.
Gustavo – Tá bom.
Ao final, eles marcaram de conversar no dia seguinte, sendo que Gustavo pediu para Ingrid ligar para o seu telefone fixo, pois ele teria esquecido o carregador de celular no trabalho. 
Sesp nega irregularidades
Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública afirmou que o secretário Gustavo Garcia não tentou interferir nas investigações ou na prisão do agente Alfredo Menezes. 
A Sesp ainda explicou que o secretário não agiu contra a lei, e tão somente deu apoio logístico à família do agente, que é seu amigo de infância.
Leia a nota da Sesp:
"A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) informa que o secretário adjunto de Inteligência, Gustavo Garcia, conforme já demonstrado nos autos da investigação criminal que tramitou na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública, denominada Operação Zaqueus, não adotou qualquer ação ou postura que viesse a interferir nas investigações e consequente prisão do fiscal Alfredo Menezes de Matos Junior, ocorrida em maio do corrente ano.
Por serem amigos de infância, a família do fiscal, depois da sua prisão, procurou o secretário adjunto para solicitar apoio logístico em Cuiabá, já que são do Rio de Janeiro (RJ) e não conheciam bem a capital mato-grossense, o que foi prontamente atendido.
A Sesp ressalta ainda que, por questão de índole e por ser um servidor público exemplar, o secretário adjunto Gustavo Garcia jamais agiria contra a lei ou os elevados preceitos éticos que conduzem a segurança pública do Estado".
O esquema
As investigações da Defaz resultaram na deflagração da operação Zaqueus, no início de maio. Segundo o apurado, os agentes tributários André Fantoni, Alfredo Menezes e Farley Moutinho receberam propina de R$ 1,8 milhão para reduzir a aplicação de uma multa à empresa Caramuru Alimentos S/A de R$ 65,9 milhões para R$ 315,9 mil.
Enquanto Fantoni teria arquitetado a fraude e ficado responsável pelo contato com representantes da Caramuru, Alfredo Menezes e Farley Moutinho foram os julgadores do processo em questão em primeira e segunda instâncias administrativas, respectivamente.
O esquema chegou ao conhecimento dos investigadores após o advogado Themystocles Figueiredo procurar a Defaz para negociar uma delação premiada. As afirmações dele é que serviram como base para os mandados de prisão preventiva contra os três agentes de tributos.
A juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, recebeu a denúncia do MPE relacionada à operação.
Os três servidores respondem pelos crimes corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude processual. André Fantoni responde ainda por coação no curso do processo, estelionato e associação criminosa. Esta última acusação também pesa contra Alfredo Menezes.
Já Walter de Souza Júnior responde por corrupção passiva, fraude processual, estelionato e lavagem de dinheiro. O empresário Alberto Borges de Souza, por sua vez, responde por lavagem de dinheiro.
A advogada Sandra Mara de Almeida, ex-esposa de André Fantoni, éacusada de corrupção passiva e estelionato. O advogado Themystocles Figueiredo, colaborador da Justiça, responde por lavagem de dinheiro.
Midianews
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