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Índios ocupam canteiro de obras de usina São Manoel e cobram ações ambientaisA proximadamente 200 índios das etnias Kayabi, Munduruku e Apiakás, ocupam desde a noite deste domingo (16), o canteiro de obras da usina hidrelétrica São Manoel, na divisa do Pará, distante cerca de 125 km de Paranaíta.
Entre as reivindicações, os indígenas exigem que a aprovação de qualquer obra em território indígena ou em área que cause impacto aos povos indígenas seja submetida à consulta e aprovação prévia das comunidades tradicionais, conforme estabelece a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
De acordo com Taravy Kaybi, até o momento a empresa responsável pela construção só tem apresentado pontos positivos sobre o empreendimento. “É um projeto do governo e empresas e nós não fomos ouvidos e agora está acontecendo. Estamos abertos ao diálogo, desde que começou a UHE Teles Pires e também a São Manoel. Não estamos aqui para atrapalhar, gostaríamos muito que de ser ouvidos. O rio está poluído e os peixes em extinção”, disse.
Outra reivindicação é a cobrança de maior agilidade na implantação dos projetos de compensação do Plano Básico Ambiental (PBA). “O seminário da UHE Teles Pires, para nós indígenas, apresentou que o resultado do monitoramento das condições dos peixes está tudo lindo no papel. Mas o que está acontecendo de verdade, nós sabemos”, afirmou Cândido Munduruku.
Em Brasília
No último dia 11, representantes das devidas etnias estiveram em Brasília para uma reunião com membros da Procuradoria Geral da República (PGR), do Ministério Público Federal (MPF), Ibama, e Funai. Lá foram discutidos principalmente a licença para operação da usina São Manoel que está em fase final de construção e que aguarda licença de operação.
Pedidos de medidas de compensação e redução de danos também foram expostos “Muitas vezes, nós indígenas, somos criticados pelos empreendimentos e governos, como se fôssemos atrapalhadores. Não queremos atrapalhar, queremos ser ouvidos e contemplados na construção do desenvolvimento do país, o que não acontece na prática” relata Romildo Apiaká.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com a assessoria da usina São Manoel, que informou que segue em tratativas com os indígenas e também com os órgãos competentes. Disse ainda que tenta encontrar uma solução que garanta a segurança das comunidades locais, colaboradores e do empreendimento.
A Funai confirmou uma reunião que ocorrerá na próxima quarta (19) com o grupo indígena. Conforme a Companhia, todas as condicionantes ambientais são cumpridas rigorosamente e estão em conformidade com a legislação vigente.

 Anderson Hentges
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