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Janot Rodrigues, o ilimitado e sem limite procurador-geral da República, chegou a inevitável e derradeira encruzilhada da vida. Não tem escapatória. Se resistir ao tsunami da ajambrada delação dos açougueiros da JBS, será colhido ao olho da tormenta quando seu ex-braço direito e neurônio principal, Marcelo Miller, der com a língua nos dentes e revelar o que sabe, o que viu e o que fez sob o olhar complacente, omisso e encorajador do Homem que fez da PGR uma catapulta para lançar pedras, flechas e torpedos contra seus desafetos políticos ou adversários ideológicos.
A Procuradoria-Geral da República nunca foi tão desmoralizada desde seu surgimento, em 1988. Também nunca tinha sido comandada por um cidadão tão despreparado para o cargo que ocupa. Janot foi um fracasso retumbante em todos os aspectos. Ignorar a lei, o bom senso e atropelar a ordem legal sempre foi seu esportivo favorito com direito a transmissão ao vivo pela TV Globo. Chegou onde chegou: o fim do poço da indecência. O próximo passo será responder por suas açodadas e midiáticas atitudes. O futuro mediato de Janot depende da língua de Miller. Os próximos capítulos ou gravações dos açougueiros da JBS serão a pá de cal na malfada passagem deste nosferatu pela PGR.
Não por acaso, alguém desceu ao inferno de Dante Alighieri para encontrar o nome apropriado para a operação policial deflagrada, na última quinta-feira. Malebolge é um setor do inferno descrito na Divina Comédia. É lá que Janot reúne seus demônios para festejar o infortúnio de suas vítimas. É lá também que Janot dança e faz coro com a música de Roberto Carlos: “quero que vá tudo pro inferno”. O inferno de descanso de Janot é mais embaixo: Lago Cocite, onde não há festas, apenas choro e ranger de dentes!
Antes que as vivandeiras gritem que defendo a impunidade e digam que sou contra as seguidas operações policiais de combate a corrupção, vai meu aviso: ninguém é contra a Lava Jato; no máximo, contra o lavador da Lava Jato, Rodrigo Janot. Ninguém é contra a operação Malebolge; no máximo, contra a incoerência, falta de equidade e de estrita observância a lei.
Os prefeitos de Cuiabá, Chapada dos Guimaraes e de Juara, Emanuel Pinheiro (PMDB), Telma de Oliveira (PSDB) e Luciana Bezerra (PSB), respectivamente, não podem ser afastados do cargo por ausência de contemporaneidade dos fatos.
Os deputados estaduais, gravados recebendo maços de dinheiro, vão permanecer em pleno exercício de seus mandatos porque a prática de mensalinho foi interrompida no governo de Pedro Taques (PSDB). O deputado federal Ezequiel Fonseca (PP), pilhado recebendo grana do delator Silvio, permanece no cargo porque não há elementos que autorize seu afastamento.
O senador Cidinho Santos (PSD), gravado em suposta tentativa de obstrução da justiça, não foi afastado da cadeira que ocupa no senado porque o ministro Fux, do STF, entende inexistir motivação. O ex-governador Blairo Maggi, apontado por Silval Barbosa como líder da organização criminosa e acusado de obstruir as investigações da operação Ararath, sequer foi afastado do Ministério da Agricultura.
Nenhum dos empresáriosdelatados por pagar propina, fraudar licitação, cometer corrupção ativa e de fazer lavagem de capital foi preso ou ao menos conduzido coercitivamente.
Nessa quadra de muita faísca e nada de fogo, tenho que o afastamento dos conselheiros do Tribunal de Contas atende as premissas do direito achado na esquina da malandragem.
Em setembro de 2016, o ex-secretário Pedro Nadaf prestou depoimento ao Gaeco e afirmou que os conselheiros do TCE teriam recebido R$ 50 milhões para aprovar as contas do ex-governador Silval Barbosa, exercício 2015 e fazer vistas grossas para as obras da Copa do Mundo.
Um mês depois, em outubro do mesmo ano, uma denúncia anônima aportou a Corregedoria do TCE narrando essas possíveis irregularidades. O Órgão determinou a realizou de auditoria para investigar o caso. Os conselheiros substitutos, Moisés Maciel e Luiz Carlos Pereira,conduziram a instrução sumária juntamente com o procurador do Ministério Público de Contas, Alisson Carvalho de Alencar. A conclusão foi pelo arquivamento.
Com exclusividade, no dia 11 de maio de 2017, o blog A bronca popular e o site Rdnews publicaram o depoimento de Pedro Nadaf. O restante da imprensa somente se interessou pelo fato no final de junho. Isso significa que os conselheiros tem pleno conhecimento deste caso desde outubro de 2016. A história que Silval Barbosa relatou em sua delação premiada é a mesma contada por Pedro Nadaf aos investigadores do Gaeco, em setembro de 2016.
Somente um idiota não convencido de sua idiotice pode maximizar a burrice de outrem e supor que o decurso de um ano não seria tempo o suficiente para suprimir provas, ocultar documentos e tentar apagar rastros de ilícitos eventualmente praticados. Garantir a instrução processual não é o motivo para afastar os conselheiros de suas funções. Qual seria, então?

Edésio Adorno

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