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Visitar obras de arte permite refletir sobre tempos atuais. Um quadro exposto no museu Bizantino de Atenas mostra Nossa Senhora em ato violento de resposta ao demônio para defender sua vida, acertando-o com uma espécie de machado.
A imagem é incomum na seara religiosa. E incomum também é a participação da mulher nos atuais cenários políticos, um bom momento para quebrar os padrões. 
Em Mato Grosso, a única deputada que compõe o grupo de parlamentares é Janaína Riva (PSD), herdeira do ex-presidente da Casa, José Riva (PSD). Já na Câmara de Cuiabá, não contamos com representante feminina.
A lei nº 9.504/1997, que rege as nossas eleições, estabeleceu que cada partido ou coligação deve reservar pelo menos 30% de suas vagas para as candidaturas de mulheres buscando alterar tal quadro. A redação atual do art. 10, § 3º, falava em “reserva” de vagas, afasta qualquer dúvida quanto ao dispositivo, utilizando um imperativo:
Reprodução
mulheres_sandra
Nossa Senhora em ato violento
“3º. Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada sexo.” (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009)
A tentativa legal não obteve êxito até o momento. Segundo dados compilados pela Inter-Parliamentary Union – uma associação dos legislativos nacionais de todo o mundo – no Brasil, pouco mais de 10% dos deputados federais são mulheres.
Ocupamos o 154º lugar entre 193 países do ranking elaborado pela associação, à frente apenas de alguns países árabes, do Oriente Médio e de ilhas polinésias.
Poucas mulheres se dispõem a participar da política e poucos são os votos destinados a elas quando concorrem às eleições. Pesquisadores já buscam a correlação entre os números baixos de candidaturas e eleições, mas os dados disponíveis não permitem apontar uma causa específica pela qual não se vota em mulheres.
Seja por questões culturais (a mulher historicamente deveria ser responsável pelo lar e por questões domésticas), seja pela falta de disponibilidade financeira para o desenvolvimento das campanhas, seja pelos diretórios políticos serem dominados por homens, é excelente momento para reverter as estatísticas.
Por fim, voltando aos quadros da história, da observação de Theodoros Vryzakis (1853), mulheres foram retratadas em batalhas empunhando armas mortais, espadas e carabinas. Não se trata de incitação à violência ou questão de gênero, nas figuras religiosas e militares encontramos atuação fervorosa das mulheres. Parece boa a oportunidade de promover mudanças no cenário político de 2018 com o ingresso de novas e aguerridas mulheres.
Sandra Cristina Alves é defensora pública do Estado, escritora e escreve exclusivamente neste Blog toda segunda (sandrac.alves@terra.com.br  
Sandra Alves

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