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Cabo revela que informava ex-secretário sobre crimes eleitorais de adversários políticos antes do pleito de 2014
O depoimento do cabo PM Gerson Corrêa Júnior, preso acusado de participar do esquema de grampos ilegais em Mato Grosso, continua a revelar detalhes sobre o esquema que funcionava no Estado. O militar contou que informava o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, sobre possíveis crimes eleitorais cometidos por adversários políticos antes da eleição para governador em 2014.“Dos alvos políticos, eu passava aquilo que era de interessante para a campanha antes do pleito. Naquela semana da votação, passei informações de supostos crimes eleitorais para ele [Paulo Taques], que poderia dar um flagrante pela Polícia Militar. Depois, pós-eleição, passei como foi as pessoas reclamando, a repercussão, isso eu lembro”, disse o cabo durante o depoimento, que foi exibido pela TV Centro América.
 
Também à reportagem, a delegada Ana Cristina Feldner, responsável pelas investigações, afirma que a situação é uma afronta à democracia: “É uma interceptação clandestina feita por policiais militares. Na sequência, temos uma fraude no sistema de protocolos de um órgão do governo. Se você não confiar nisso em um sistema de protocolo do Estado, vai acreditar em que? Percebemos que isso não para. Chegaram a um plano ambicioso de forjar uma denúncia contra o desembargar Orlando Perri, algo inaceitável. A impressão que temos é de que tentam a todo momento dificultar as investigações”.
 
Segundo o PM, as interceptações tiveram início em setembro de 2014: “As atividades encerraram no mês de outubro de 2015. Neste último período, eu nem escutei, em que pese eu tenha encaminhado os ofícios às operadoras. Não escutamos em virtude de ter encerrado todas as atividades junto àquela sala comercial, também por ter interrompido tudo, após o conhecimento de que o promotor Mauro Zaque havia tomado ciência destas interceptações”.
 
Gerson também relatou que teve um encontro, junto com o coronel PM Evandro Lesco e o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques. Na ocasião, conforme o depoimento, Taques teria algum conhecimento sobre o sistema, mas fez algumas perguntas técnicas de como ele funcionaria. Além disto, foi nesta reunião em que o cabo diz ter ciência de que a plataforma seria utilizada para a política. Passado algum tempo, os R$ 50 mil teriam sido repassados ao militar.
 
Revelações
 
Olhar Direto teve acesso a parte das revelações feitas pelo cabo. A primeira delas trata sobre o pagamento de R$ 50 mil que teria sido feito por Paulo Taques para o coronel Lesco com o objetivo  de bancar as despesas das interceptações ilegais iniciadas durante a campanha para o governo do Estado, em setembro de 2014.
 
A segunda revelação feita pelo PM é de que ele teria ouvido de Paulo Taques que seu interesse nas interceptações ilegais seria estritamente político. Depois, garantiu que os alvos seriam adversários do então candidato ao governo, Pedro Taques.
 
Por fim, Gerson contou também que os alvos políticos dos grampos ilegais eram passados para ele pelo coronel PM Zaqueu Barbosa, que seria o responsável por comandar toda a operação, desde o seu início.
 
Grampos
 
Reportagem do programa "Fantástico", da Rede Globo, revelou na noite de 14 de maio que a Polícia Militar em Mato Grosso “grampeou” de maneira irregular uma lista de pessoas que não eram investigadas por crime.
 
A matéria destacou como vítimas a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), o advogado José do Patrocínio e o jornalista José Marcondes, conhecido como Muvuca. Eles são apenas alguns dos “monitorados”. O esquema de “arapongagem” já havia vazado na imprensa local após o início da apuração de Fantástico.
 
Os grampos foram conseguidos na modalidade “barriga de aluguel”, quando investigadores solicitam à Justiça acesso aos telefonemas de determinadas pessoas envolvidas em crimes e no meio dos nomes inserem contatos de não investigados. Neste caso específico, as vítimas foram inseridas em uma apuração sobre tráfico de drogas.

Da Redação - Wesley Santiago

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