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A Força Nacional de Segurança (FNS) chegou em Alta Floresta no início da tarde cerca de 40 homens se deslocaram para canteiro de obras da Usina Hidrelétrica São Manoel. A decisão é assinada pelo juiz Marcel Queiróz Linhares, da Segunda Vara Federal de SInop, e atende a um pedido feito pela diretoria da empresa responsável pela usina, após a ameaça de invasão de indígenas no local.
De acordo com informações repassadas ao site Nativa News, a presença da Força Nacional na região das obras da usina tem o objetivo de "garantir incolumidade das pessoas, do patrimônio e a manutenção da ordem pública nos locais em que se desenvolvem as obras.
Um grupo de manifestantes, composto na maioria por índios, ameaçam invadir o canteiro de obras da São Manuel eles reclamam de impactos da obra ao rio Teles Pires.
Indígenas das etnias Kayabi, Munduruku e Apiaká, que vivem em aldeias banhadas pelo rio Teles Pires, pediram ao Ministério Público Federal (MPF) no Mato Grosso e no Pará uma ação na Justiça de suspensão da Licença de Operação (LO) da Usina Hidrelétrica São Manoel. A licença foi concedida no último dia 5 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com o licenciamento, a empresa que administra a usina poderá encher o reservatório.
Seis lideranças das três etnias Munduruku, Kayabi e Apiaká disseram à reportagem que vão a Brasília tratar do assunto com a Procuradoria Geral da República (PGR) e com a Fundação Nacional do Índio (Funai). Eles afirmam que a hidrelétrica São Manoel é uma “grande ameaça” aos rios, florestas, animais, peixes e patrimônio histórico e cultural dos antepassados.

“Considerando as várias falhas que ainda têm que ser vistas e resolvidas antes de ser concedida a Licença de Operação, e que até o momento, a empresa não tem nenhuma estratégia para mitigar todos estes impactos, é evidente que essa decisão do Ibama foi equivocada. Sendo assim, solicitamos providências urgentes do MPF, no sentido de pedir na justiça a suspensão da LO de São Manoel, devido a sua ilegalidade e os riscos que estamos correndo com essa usina e outras barragens no rio Teles Pires”, disse em cartar enviada no dia 6 de setembro ao procurador da República Malê de Aragão, em Sinop (MT), a liderança da etnia Apiaká da Aldeia Mayrowi, Darlisson Apiaká.

Em outra carta protocolada no último dia 13 de setembro e endereçada aos procuradores Frazão, Felício Pontes, que atua no MPF de Belém, e Luís Camões Boaventura, de Santarém, ambas cidades do Pará, o Povo Munduruku afirma que uma grande parte do local sagrado, chamado de “Karobixexe”, está destruída pelas obras das hidrelétricas, além de São Manoel, a usina de Teles Pires.
No dia 5 de setembro, o IBAMA emitiu o documento autorizando a usina a iniciar suas atividades. Na carta os indígenas também solicitam uma reunião com IBAMA e outros órgãos do governo no dia 15 de outubro, na aldeia Teles Pires.
Nós, do povo Munduruku, não queremos a barragem! Nós indígenas somos desrespeitados pelo governo, estão atropelando nossos direitos. O governo está construindo as usinas mesmo sem a gente querer a barragem. No dia 5 de setembro, o IBAMA emitiu a licença de operação da usina de São Manoel.
O IBAMA não veio falar com a comunidade para liberar a licença. É muito errado o IBAMA liberar a licença de operação sem consultar os indígenas. O que o IBAMA fez com a gente foi um desrespeito!
Nós que moramos na aldeia e sabemos, eles moram lá e não sabem da realidade que vivemos aqui. Nem o IBAMA nem outras autoridades vieram na nossa comunidade ouvir a gente. Estamos passando necessidade. O IBAMA não veio ver os impactos que estão acontecendo. Não veio nas aldeias. Tem
que vir aqui, ouvir nossa comunidade, dialogar com a gente. Mas a presidente Suely Araújo, do IBAMA, não veio aqui. Se eles estão desrespeitando nossa comunidade eles têm que vir aqui nos ouvir. Eles vão encher o reservatório e o nosso rio vai ficar mais prejudicado.
Nem governo, nem empresa passaram informação para a comunidade e para as lideranças. Nós estamos muito bravos com a FUNAI, ela tem que chegar na nossa comunidade orientar, mas não vieram dar orientação. A FUNAI vem junto com a empresa, ela tem que vir sem a empresa. O IBAMA também só
diz o que a empresa diz, não veio na comunidade. Mas somos nós que sabemos o que está acontecendo na nossa região, o que estão destruindo, então precisam nos ouvir.
Exigimos a convocação de reunião na aldeia Teles Pires, no dia 15 de outubro de 2017, com o ministro do Ministério de Minas e Energia, o presidente da FUNAI, a presidente do IBAMA e a diretora do IPHAN.
Queremos que as maiores autoridades estejam aqui. Enquanto eles não chegarem para sentar
com o povo nós exigimos que a barragem pare de funcionar. Não queremos que IBAMA autorize a Licença de Operação enquanto as autoridades não vierem falar com a gente. Se o governo não quer ouvir a gente, não consulta o povo Munduruku, nós vamos ocupar de novo o canteiro de obras.
A gente vai sofrer quando a barragem fechar. Já está acontecendo mesmo não estando fechada. A gente vai ocupar não para fazer confronto, vamos apenas atrás dos nossos direitos. Queremos mesmo que seja feito esta denúncia. Não podemos deixar que isso aconteça!
Queremos o cancelamento da Licença de Operação da São Manoel!
As empresas vêm só para acalmar a comunidade, trazer as embarcações, as oficinas, só para enganar a gente. A empresa não falou das coisas ruins que iam acontecer, falou só das coisas boas para eles, não para a gente. A empresa traz consequência para nós, por que nunca ouviu a gente, nunca respeitou os
nossos direitos, nunca consultou o povo Munduruku. Falaram que a água não está contaminada, que podemos beber. A gente banha no rio, mas sabemos que o rio não é bom para banhar, aparece as coceiras na pele. A barragem traz só coisa ruim para nós. Traz consequência no rio. Hoje a água está muito suja. E os peixes, a gente vai pescar não pega mais muitos peixes, não pode mais pescar como é da nossa cultura, tem que pescar a noite e mergulhando e isso é perigoso. A gente está perdendo alimentação, peixe, caça. Eles têm alimentação pronto, mas nós indígenas não, nosso alimento vem da floresta, do rio. As empresas que estão sendo construídas vão trazer consequência para os nossos filhos. A barragem deixa nossos filhos sem alimentação e no futuro ficará pior. A gente sente no coração da gente o que está acontecendo, tanto no rio, como com os animais, por isso temos que fazer esta denúncia. Só quando a construção da usina parar nós podemos ficar sossegados.
Tem muitas coisas nos programas que não foram executadas na aldeia. Muitas coisas vieram pela metade. A empresa vem só para executar os programas e no papel deles já sai tudo bem feito, mas na realidade não está feito. No canteiro tudo está bem feito, é já como uma cidade, mas lá é o local
sagrado para o povo Munduruku, é uma aldeia para a gente. Em todas as cachoeiras existe a mãe dos peixes. Existe o espírito dos nossos antepassados, por isso a gente está brigando. A gente não quer que os nossos filhos passem por xipat um at tag (dificuldades). O importante é trazer o alimento para sustentar os filhos e netos.
Não aceitamos esse PBAI. Esse PBAI foi feito pela empresa, sem a participação do povo Munduruku. A empresa não ouviu o povo Munduruku para fazer esse PBAI que não serve pra gente. Não aceitamos mais as oficinas que eles estão trazendo. Como tem oficinas de fotografia e vídeo e ninguém aprendeu? E tudo isso tem que ser feito de novo. Nós indígenas estamos sendo desrespeitados pela empresa, estão atropelando os nossos direitos. A empresa quer construir rápido as obras, eles trazem as oficinas e querem executar rápido os programas. No papel deles sai bem feito, mas na verdade não é. Foram feitas construções, até agora não está nada concluído e a empresa está desrespeitando nós. Tudo que foi pedido não foi bem feito. Tudo que a empresa implanta não dura muito tempo, não vai permanecer para
sempre. Os trabalhos que estão sendo executados estão muito atrasados. O que prometeram não foi implantado nas aldeias. A única solução para a empresa é atrasar o trabalho, cancelando a licença de operação. O governo e os empreendimentos nunca vão pagar o que fizeram de estrago nos nossos
locais sagrados. Os empreendimentos têm o dever de cumprir o que foi acordado com a comunidade.
O pessoal do empreendimento veio trazer os cartazes na aldeia sobre a licença de operação, mas a comunidade não ficou sabendo, eles falaram só com algumas lideranças.
Na ocupação de São Manoel, nós do povo Munduruku, convidamos IBAMA, FUNAI e as empresas da Teles Pires e São Manoel para a audiência do povo Munduruku na aldeia Missão Cururu que aconteceu nos dias 28 a 30 de setembro. As empresas não acataram o convite da carta feita na ocupação pelo
Movimento Iperege Ayu. São um bando de mentirosos. Eles falam que não tem recurso para fazer as construções nas aldeias, mas como eles fazem a construção da usina? Por que a empresa mentiu que estaria nesta audiência? Mentiram para nós.
A empresa não acata o convite como foi enviado no encontro para a Missão Cururu. Ninguém compareceu, nem FUNAI, nem as empresas, nem o IBAMA.
Queremos o pedido de desculpas pela destruição dos nossos locais sagrados Karubixexé e Dekoka’a. A empresa veio de longe destruir os locais sagrados. O IBAMA também não consultou antes a
comunidade. O IBAMA não ia deixar nós indígenas entrar no local onde ele habita.
Nós estamos na nossa região. Nunca nós fomos invadir a região dos brancos. E eles estão invadindo a nossa região. Nós que temos direito, por que nossos antepassados estão enterrados por aqui. E o governo veio de longe para fazer destruição dos nossos lugares sagrados. E se o IBAMA não acatar a gente vai fazer um movimento grande no canteiro de obras. Com Informações Fórum Teles Pires
Fonte:José Lucio Junqueira/Nativa News
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