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Movimentação com soja supera em 32% no ano passado; a de milho tem alta de 75% em 2017

Trem de grãos para carregamento em navio em terminal do porto de Santos (SP) - Guilherme Kastner - 20.fev..18/Folhapress
Trem de grãos para carregamento em navio em terminal do porto de Santos (SP) - Guilherme Kastner - 20.fev..18/Folhapress

A grande safra de grãos do ano passado fez bem para a indústria ferroviária, o que poderá ocorrer também neste ano, uma vez que o país voltará a obter mais uma boa produção nas lavouras.
 
Em 2017, as ferrovias movimentaram 30 milhões de toneladas de soja para os portos, 32% mais do que em 2016.
 
O movimento com milho teve uma aceleração ainda maior, com evolução de 75% no ano. Passaram pelos vagões dos trens 18 milhões de toneladas do cereal.
 
O movimento na indústria ferroviária acompanha a boa evolução da produção brasileira de grãos, que atingiu patamar recorde de 240 milhões de toneladas em 2017. A produção de soja somou 114 milhões de toneladas e a de milho beirou os 100 milhões.
 
Para Fernando Paes, secretário-executivo da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), há uma coincidência entre a boa safra agrícola e um aumento de capacidade de transporte da malha ferroviária nos últimos anos.
 
O ganho na capacidade de transporte das empresas ferroviárias no país ocorre devido a duplicações, obras de contornos e investimentos em tecnologia, segundo o diretor-executivo da associação.
 
“Uma mesma composição hoje pode rodar com um número maior de vagões, ganhando capacidade. Além disso, algumas empresas reduziram o intervalo entre as viagens dos trens”, afirma o diretor-executivo.
 
Paes estima, porém, que o setor poderá ter dificuldades em acompanhar a demanda da agricultura nos próximos anos. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o país poderá atingir 300 milhões de toneladas de grãos em uma década.
 
As ferrovias, para manter investimentos de longo prazo e acompanhar o setor agrícola, precisariam de uma prorrogação antecipada das concessões. Algumas começam a vencer em 2026, segundo o diretor da ANTF.
 
O volume de grãos transportado pelas ferrovias na última década mostra que a agricultura avançou por novas regiões e criou demanda específica para o transporte ferroviário.
 
Em 2007, o porto de Paranaguá (PR) embarcava 22% da soja que saía do Brasil, um volume próximo do do porto de Santos (SP). Em 2017, a participação de Paranaguá foi de 10%, e a do porto santista, de 44%.
 
O porto de Itaqui (MA), que participava com apenas 7% dos embarques de soja em 2007, tem atualmente 14%.
 
Santos é líder em exportações de grãos transportados por ferrovias, abocanhando 68% do volume do país. Itaqui vem a seguir, com 9%.
 
MAIS AGRONEGÓCIO
Além de soja e de milho, o açúcar também tem importância na malha ferroviária. No ano passado, foram transportados 14 milhões de toneladas de açúcar, um volume 2% inferior ao de 2016. A evolução média anual de 2006 a 2017, porém, é de 10%, segundo dados da ANTF.
 
O maior movimento nas ferrovias brasileiras é o de minério de ferro, que chegou a 416 milhões de toneladas em 2017, com evolução de 5% em relação a 2016.
 
De 1997 a 2017, o setor ferroviário investiu R$ 92 bilhões, conforme valores corrigidos pela IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE. 
 
Etanol de milho A produção de etanol de milho deverá atingir 830 milhões de litros neste ano no Brasil, 58% mais do que em 2017, conforme estimativa da consultoria Datagro.
 
Moagem Em 2021, a produção deverá atingir 3 bilhões de litros, com a utilização de 7,1 milhões de toneladas do cereal. Os dados levam em consideram os projetos já em andamento e os que estão para ser instalados.
 
Menos favorável As carnes exportadas pelo Brasil estão com um cenário de preços pior do que o de há um ano. Os três tipos de proteína 
—bovina, suína e de frango— estão com redução nos valores externos de negociações.
 
Suína cai mais A tonelada de carne suína recuou para US$ 2.109 neste mês, com queda de 16% em relação a março de 2017. As carnes bovina e de frango recuaram menos: 4% e 9%.
 
Volume maior  O maior volume exportado de carne bovina está compensando a queda nos preços externos.

Fonte:Mauro Zafalon, Folha de SP
 
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