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DEM, PSL e Podemos elegeram 26 deputados em 2014 e devem chegar a quase 80 até sábado
Rodrigo Maia, do DEM, fala durante seminário em Brasília; seu partido é um dos que teve crescimento mais expressivo na Câmara - Keiny Andrade - 20.mar.2018 / Folhapress
Rodrigo Maia, do DEM, fala durante seminário em Brasília; seu partido é um dos que teve crescimento mais expressivo na Câmara - Keiny Andrade - 20.mar.2018 / Folhapress

A janela que permite aos deputados federais trocar livremente de partido deve resultar em crescimento expressivo de pelo menos três legendas na Câmara, o DEM do presidente da Casa e pré-candidato à Presidência, Rodrigo Maia (RJ), o PSL do também presidenciável Jair Bolsonaro (RJ) e o Podemos do senador Álvaro Dias (PR).
 
Os três partidos elegeram em 2014 apenas 26 dos 513 deputados e figuravam, até pouco tempo, no rol de siglas médias ou nanicas.
 
Com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a aproximação da disputa presidencial de outubro e a abertura da janela do troca-troca, porém, já somam 67 cadeiras. 
 
Até o fim de semana, quando termina o prazo de 30 dias para a migração sem que haja risco de o parlamentar perder o mandato por infidelidade, a expectativa de dirigentes é que DEM, PSL e Podemos cheguem a 78 deputados, exatamente o triplo do que conseguiram nas urnas.
 
A janela do troca-troca foi estabelecida pelos próprios congressistas durante reforma política aprovada em 2015. A mudança representou mais um baque nas normas de fidelidade partidária, cristalizando a tendência nacional de siglas com pouquíssima identidade ideológica e programática.
 
O que move a atual migração, que registrou até essa terça-feira (3) 48 movimentações na Câmara, é a maior oferta de condições para que os deputados consigam a reeleição. Resumidamente, dinheiro público para campanhas e controle dos diretórios regionais das legendas.
 
Além de reforçar seu poder na Câmara, os partidos que engordam suas bancadas aumentam suas chances de eleger mais deputados, o que resultará em maior fatia de verbas públicas e tempo de propaganda eleitoral na TV a partir de 2019.
 
O DEM de Rodrigo Maia foi um dos partidos mais poderosos após a ditadura (ainda sob o nome PFL), mas começou um lento processo de encolhimento durante os governos do PT, a partir de 2003.
 
Com a destituição de Dilma em 2016, o partido conseguiu eleger Maia presidente da Câmara e, desde então, vem se reerguendo. De 21 deputados eleitos em 2014, já conta com uma bancada de 39, a sexta maior da Câmara. O líder do partido, Rodrigo Garcia (SP), espera chegar a 42 deputados até sábado (7).
 
Garcia nega que o sucesso do partido se deva à promessa de fundo eleitoral para as campanhas. Ele diz que o DEM só definirá o valor que cada candidato terá depois que a janela se fechar.
 
Dirigentes do DEM dizem considerar que ter pré-candidato próprio à Presidência contribuiu, assim como a pretensão de ter candidato a governador em nove estados.
 
Impulsionado pela filiação de Jair Bolsonaro (RJ), o PSL está abandonando o selo de nanico. A sigla, que iniciou a legislatura com um deputado, conta agora com nove e espera chegar a 12.
 
“Foi um forte viés do efeito Bolsonaro, de cunho ideológico e de candidatos que estão vindo para o partido independente da verba partidária”, disse o presidente do PSL, Luciano Bivar (PE).
 
O Podemos, que em 2014 se chamava PTN, deve mais que quintuplicar a bancada, de 4 para mais de 20. A presidente da sigla, a deputada Renata Abreu (SP), aponta como atrativo a não menção do partido no escândalo da Lava Jato, mas reconhece que quem entra cobra dinheiro para suas campanhas.
 
PT e MDB continuam até agora como as maiores bancadas (56 e 55 deputados, respectivamente), mas em ritmo minguante —elegeram 68 e 65 parlamentares em 2014.
 
Recém-chegado ao MDB, Beto Mansur (ex-PRB), um dos principais aliados de Temer, diz não acreditar que a impopularidade do presidente tenha afastado quadros do partido. Ele diz que saiu do PRB porque o partido não apoiará o candidato do governo. 

Fonte: Folha de São Paulo
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