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Mato Grosso perdeu, por desmatamento, uma área equivalente à extensão territorial de duas cidades de Várzea Grande, no período de agosto de 2017 a julho de 2018. A Cidade Industrial tem 938,1 quilômetros quadrados, segundo a assessoria de comunicação. A taxa estimada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi de 1.749 quilômetros quadrados no Estado. O valor corresponde a 22,1% do desmatamento na Amazônia Legal e é o segundo maior do país.
Os dados do Inpe confirmam ainda um aumento de 12% no desmatamento em Mato Grosso em comparação ao período anterior (agosto de 2016 a julho de 2017), quando a taxa de desmatamento no Estado foi de 1.561 km2. No geral, em relação à taxa, o Estado fica atrás apenas do Pará, que acumula 2.840 km2 desmatados. No país, a área de desmatamento foi de 7.900 km2, valor 13,7% superior ao registrado no ano anterior, quando foi registrado 6.947 km2.
O levantamento do Inpe aponta que, nos últimos 30 anos, de 1988 a 2018, o Estado já acumula uma taxa de desmatamento de 144.716 km2.
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Hugo José Scheuer Werle frisa que o Estado vinha de uma tendência de queda na taxa de desmatamento mas, desde o ano passado, a realidade mudou. Este crescimento, segundo ele, é ocasionado por vários fatores. Um deles é o desrespeito à legislação e aos órgãos de controle. O professor exemplifica a demora na autuação de um desmatador como um dos motivadores para Mato Grosso sempre figurar no ranking dos maiores desmatadores.
Hugo Werle utiliza o caso de um produtor rural que desmata a área para plantar soja. A lucratividade com a produção até ele ser identificado e a chance de recorrer da multa acabam tendo um lapso temporal muito grande e continuar no crime acaba por ser compensador, conforme o professor. “O descaso com a questão ambiental, o afrouxamento no processo de fiscalização, a vagareza na cobrança de multas, tudo isso incentiva o produtor. Eles são incentivados a cometer o crime pois acreditam na impunidade ou a punição vem muito tarde. As vantagens do crime ambiental compensam ao infrator devido ao longo tempo para usar a propriedade até a interdição”, frisa.
Werle destaca como consequências do desmatamento a perda da biodiversidade. Os impactos são sentidos nas florestas como todo, nos animais e no aumento do aquecimento global. “Precisamos de formas de detecção mais eficazes com imagens de satélite em alta definição, que deveriam estar à disposição dos órgãos ambientais. Além das tecnologias precisamos ter recursos à disposição. O produtor rural tem clareza desta dificuldade na falta de investimentos. Também há o fato de aparentar que o próprio governo, de maneira proposital, para facilitar a impunidade, acaba não investindo na detecção dos desmatadores”, frisa.
A Gazeta (foto: arquivo/assessoria)
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