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O câncer de mama é hoje um relevante problema de saúde pública. É a neoplasia maligna mais incidente em mulheres na maior parte do mundo. Em Mato Grosso, conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estão previstos 680 novos casos neste ano. A taxa bruta estadual é de 41,32 por 100 mil pessoas. Em Cuiabá, são estimados 220 novos diagnósticos e uma incidência de câncer de mama feminina de 69,3 por 100 mil mulheres.

Para alertar, autoridades públicas ligadas à saúde deram início ao “Outubro Rosa”. Na capital, a Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT), em parceria com o MT Mama, lançou, ontem à noite a campanha no Hospital Estadual Santa Casa. Durante o evento, o secretário da pasta, Gilberto Figueiredo, anunciaria as ações a serem realizadas pela unidade hospitalar.

Na oportunidade, a unidade hospitalar também ganhou a iluminação rosa, que perdurará durante todo o mês de conscientização, já que a cor é símbolo mundial da campanha de prevenção ao câncer de mama. “O objetivo da campanha é sensibilizar e mobilizar as pessoas sobre o câncer de mama proporcionando, dessa forma, maior acesso aos serviços de diagnóstico e contribuindo para a redução da mortalidade da doença”, informou.

Ainda, conforme o Inca, as últimas estatísticas mundiais, preveem 2,1 milhões de casos novos de câncer e 627 mil óbitos pela doença. No Brasil, as estimativas de incidência de câncer de mama para este ano, são de 59.700 novos, o que representa 29,5% dos cânceres em mulheres, excetuando-se o câncer de pele não melanoma. Nas capitais brasileiras, esse número corresponde a 19.920 casos novos a cada ano.

A taxa bruta de incidência estimada foi de 56,33 por 100 mil mulheres para todo o Brasil e 80,33 por 100 mil mulheres nas capitais. Quanto a mortalidade, os dados referentes a 2016, apontam que foram registrados, no Brasil, 16.069 óbitos por câncer de mama em mulheres. A taxa bruta de mortalidade por esse câncer foi de 15,4 óbitos por 100 mil mulheres no país, mas variou entre as regiões geográficas. Em Mato Grosso, foi de 11,5 mortes/100 mil, abaixou da nacional.

Conforme especialistas, o câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. “Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de cada tumor”, informa o Inca.

Existe tratamento para a doença e o Ministério da Saúde (MS) oferece atendimento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, fatores relacionados ao conhecimento da doença e às dificuldades de acesso das mulheres aos métodos diagnósticos e ao tratamento adequado e oportuno resultam na chegada das pacientes em estágios mais avançados do tumor, piorando o prognóstico.

O câncer de mama não tem somente uma causa. A idade é um dos mais importantes fatores de risco para a doença (cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos). Mas, outros fatores que aumentam o risco da doença são, ambientais e comportamentais como sedentarismo, obesidade e sobrepeso após a menopausa, consumo de bebida alcoólica; fatores da história reprodutiva e hormonal; e hereditários. De acordo com as autoridades públicas, o câncer de mama de caráter genético ou hereditário corresponde a apenas 5% a 10% do total de casos da doença.

Ainda, segundo o Inca, “atualmente, o diagnóstico, o tratamento local e o tratamento sistêmico para o câncer de mama estão sendo aprimorados de forma rápida, em razão de um melhor conhecimento da história natural da doença e das características moleculares dos tumores. Nesse cenário, o planejamento de estratégias de controle do câncer de mama por meio da detecção precoce é fundamental. Quanto mais cedo um tumor invasivo é detectado e o tratamento é iniciado, maior a probabilidade de cura”.

Mas, cerca de 30% dos casos podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como, praticar atividades física, alimentar-se de forma saudável, manter o peso corporal adequado; evitar o consumo de bebidas alcóolicas, amamentar e evitar uso de hormônios sintéticos, como anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal. Vale lembrar que o câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com taxas de sucesso satisfatórias.

Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. Uma das orientações é o autoexame dos seios. Além disso, o Ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rastreamento (exame realizado quando não há sinais nem sintomas suspeitos) seja ofertada para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos.

Para orientar, várias ações vêm sendo implementadas para diagnosticar o câncer nos estágios iniciais. Em Cuiabá, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizará durante todo o mês de outubro a campanha “Bem-me-quer”, com o objetivo de intensificar as atividades voltadas para a saúde da mulher, por meio do “Outubro Rosa”, e aos idosos, em celebração à “Semana do Idoso”. Na programação, diversos atendimentos em saúde inerentes à atenção básica e uma vasta gama de serviços voltados às temáticas por meio do projeto “Qualidade de Vida na Terceira Idade”.

O evento contará com a parceria do projeto “Carreta do Sesc” que oferta os exames preventivos para câncer de mama e de colo de útero, popularmente conhecido como CCO. Os serviços ofertados serão abertos à população em geral e ainda beneficiarão cerca de 120 idosos atendidos pelos Centros de Convivência (CCIs) do município, Maria Ignês, Aidee Pereira, João Guerreiro e Padre Firmo. O lançamento ocorreu ontem (30) à tarde, no Programa de Saúde da Família (PSF) Pedra 90 I e II.
Fonte:Joanice de Deus/Diário de Cuiabá
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